terça-feira, 2 de abril de 2013

Um gigante chamado São Januário



A compra do terreno em que foi construído o maior estádio particular do Rio de Janeiro completou, nesta quinta-feira (28), 88 anos. No dia 28 de março de 1925, o Club de Regatas Vasco da Gama comprou o espaço que daria lugar ao caldeirão vascaíno, que posteriormente recebeu o nome de São Januário, devido à parte de sua localização que está em uma rua de mesmo nome. Porém, os motivos para sua construção são um pouco mais antigos.
A ideia de construir um estádio começou quando o Vasco passou a sofrer certas restrições da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos) formada por Flamengo, Fluminense, Botafogo e América, que o impediam de participar da elite do futebol carioca por possuir atletas negros no elenco. Entretanto, o Vasco sempre foi democrático, desde suas cores (preto, branco e vermelho), que se encaixam na ideia de uma comunhão de etnias, e lutou contra o sistema vigente, contribuindo decisivamente para que o futebol deixasse um esporte exclusivo de descendentes de ingleses e jovens da aristocracia.
Por conta disso, em 1924, foi imposta ao Cruzmaltino uma série de exigências da AMEA, dentre as quais os jogadores precisariam provar que estudavam ou trabalhavam. Não em um trabalho qualquer, mas em “um emprego decente (…). Empregados subalternos eram riscados”, segundo Mário Filho. Além de precisar saber ler e escrever corretamente, que causou o afastamento de 12 jogadores do Vascão, por não atenderam aos requisitos impostos.
Diante do ultimato, o presidente do clube, José Augusto Prestes, assinou um ofício no dia 7 de abril, que ficou famoso na história do futebol carioca e brasileiro, desistindo de participar da nova liga criada. Porém, no ano seguinte, os representantes da AMEA decidiram convidar o Vasco à elite carioca, já que a renda do campeonato da LMDT (Liga Metropolitana de Desportes Terrestres) que continha os clubes que não foram aceitos pela Associação, dentre eles o Vasco, foi maior do que a da própria AMEA.
Entretanto, os problemas não acabaram. Novos recursos para tentar barrar o Vasco foram criados, dentre eles o de que os clubes precisariam ter campos e sedes próprios. Começou assim uma intensa campanha de arrecadação de recursos para a construção do estádio, que, em menos de um ano, conseguiu oito mil novos sócios ao clube. Além disso, cerca de dois mil contos de réis foram arrecadados. Dinheiro suficiente para a compra do terreno de 65.445 m² no bairro de São Cristovão.
Este bairro foi escolhido, de acordo com o geógrafo Fernando Ferreira, pois tinha características condizentes com a origem do clube, como a proximidade da Rua Morais e Silva e com a zona portuária do Rio de Janeiro (parte da cidade onde o clube foi fundado); uma numerosa colônia portuguesa presente na região; além da identificação do bairro com Portugal, construída desde a chegada da Família Real.

Pontapé inicial da partida inaugural de São Januário entre Vasco e Santos
(21 de abril de 1927)
O terreno, além de ser no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, possuía um morro ou pequena colina, motivo pelo qual o local ainda hoje é chamado de "Colina Histórica". E, até a construção do Estádio do Pacaembu, em 1940, São Januário era considerado o maior das Américas, chegando a abrigar mais de 90 mil pessoas, em 1985, no show do grupo musical porto-riquenho Menudo. Enfim, no dia 21 de abril de 1927, o “Gigante da Colina” foi inaugurado.
Jogo de estreia:
21/04/1927 – Vasco 3 x 5 Santos
*Evangelista marcou o primeiro gol do estádio
Placar mais elástico:
06/09/1947 – Vasco (Expresso da Vitória) 14 x 1 Canto do Rio
Público recorde:
19/02/1978 – 40.209 pessoas (Vasco 0 x 2 Londrina)
Maior artilheiro do estádio:
Roberto Dinamite – 184 gols
Curiosidade:
São Januário teve outra utilidade além do futebol: o presidente Getúlio Vargas, grande torcedor cruzmaltino, utilizava o local para falar ao povo brasileiro. Além disso, as primeiras leis trabalhistas do país foram anunciadas, em primeira mão, na casa do Vasco.

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